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Mundo
Eleições 2014 até na
Bolívia
26/01/14 às 22:27 (publicado no Bem Paraná - Curitiba)
A temporada de caça a eleitores já começou para os políticos
latino-americanos. Não importa se com cartas marcadas ou não, o fato é que a
realização de pleitos ditos universais (ou limitados a votantes do partido no
poder como na Ilha) para o Executivo e o Legislativo passaram a se constituir
na face aparente dos regimes mais ou menos democráticos no continente. Além do
início das administrações de Peña Nieto que no México traz de volta o PRI e da
socialista Michelle Bachelet no Chile, a presidência mudará de mãos em sete
países, começando em 2 de fevereiro por El Salvador e Costa Rica, os dois com
forte perspectiva de um 2º turno em seguida.
A Frente Farabundo Marti para la Liberación Nacional – FMLN, partido
originário da guerra salvadorenha dos anos oitenta, está no governo com
Mauricio Funes (sua esposa é a brasileira Vanda Pignato, representante do PT na
região) que fez uma administração aberta e é o mais popular dos governantes
centro-americanos. Recusou-se a entrar para o bloco bolivariano da ALBA e
procurou aproximar-se da Aliança para o Pacífico onde estão Chile, Colômbia,
México e Peru. A esquerda mais ideológica não gostou e agora apresenta como
candidato o atual vice, Salvador Sánchez Cerén que não deslancha. Tem 35% da
preferência eleitoral, contra 32% do dentista e ex-prefeito de San José Norman
Quijano da Arena, que conseguiu unir toda a direita tradicional em torno do seu
nome. O grande problema é o tráfico de drogas. Funes negociou desde 2012 uma
trégua com os líderes das duas maiores quadrilhas do país – Mara Salvatrucha e
Calle 18 (M13 e M18) -, presos na prisão de segurança máxima Zacatecoluca, mas
neste começo de ano elas voltaram a atacar policiais e soldados. Em 14 de abril
último El Salvador comemorou o 1º dia sem homicídios num período de três anos.
Após duas administrações social-democratas Costa Rica tem três
concorrentes em virtual empate técnico: Johnny Araya do situacionista Partido
de Liberação Nacional (PLN) com 22,2% das intenções de voto; José Maria
Villalta da Frente Ampla de esquerda com 20,3% e Otto Guevara do Movimento
Libertário de direita com 20,2%. Caso ninguém obtenha 40% dos votos válidos,
haverá 2º turno. Tentando evitar um terceiro mandato do PLN, a esquerda, que
tem penetração na juventude (1/3 do eleitorado), propõe revitalizar o papel do
setor público e ampliar direitos de gays, lésbicas e transexuais, enquanto
Guevara quer um Estado mais eficiente e competitivo. O país mantém a tradição
de neutralidade desde que aboliu o Exército em 1948, mas a proximidade com Cuba
e Estados Unidos, assim como a pressão dos venezuelanos tem presença ativa nos
debates pré-eleitorais.
Na Colômbia, onde o pleito legislativo é em março e o presidencial em 25
de abril, não devem ocorrer mudanças de rumo. O favoritismo é do neoliberal
Juan Manuel Santos que deseja a reeleição. Tem mais de 20 pontos percentuais de
vantagem frente ao uribista Óscar Zuluaga e a Clara López do esquerdista
moderado Pólo Democrático. A proposta de realizar um referendo de aprovação (ou
não) dos termos do Acordo de Paz com as Farc, em discussão em Havana, não tem
chance pelo curto prazo disponível. O prefeito de Bogotá, Gustavo Petro, destituído
pelo Procurador Geral da Nação, resiste no posto e se aproxima do Partido dos
Indignados ou Partido do Tomate, formado por jovens que num movimento similar
às marchas de junho no Brasil, ganharam fama jogando os frutos contra símbolos
dos poderes constituídos e colhem assinaturas populares para concorrer, o que
também parece inviável.
Em maio (dia 4) chega a vez do Panamá escolher o novo ocupante do
Palácio das Garças, provavelmente José Domingo Arias do governante Cambio
Democrático que nas pesquisas tem 39% de apoio. No fundo, nada deve mudar, mas
se à última hora as oposições se unirem podem vencer ou com Juan Carlos Navarro
do PRD, social-democrata ou com Juan Carlos Varela, liberal de direita do
Partido Panamenhista. Há, ainda, a hipótese mais remota de o atual presidente
Ricardo Martinelli, cuja gestão tem índices elevados de apoio, virar a mesa e
aprovar no Congresso a reeleição, hoje vetada.
O Brasil, transformado, segundo Miguel Bastenier do El País, num feudo
do Partido dos Trabalhadores e sem oposição visível, deve reeleger Dilma
Rousseff sem maiores problemas em outubro. Nem mesmo as condenações de parte da
alta cúpula do partido no processo do Mensalão ou a rejeição popular expressa
nas marchas de rua de junho de 2013 foram suficientes para ameaçar o quarto
mandato consecutivo do grupo comandado por Lula da Silva.
O Uruguai (1º turno em 26/10 e 2º em 30/11) apenas aguarda o retorno de Tabaré Vasquez à presidência, substituindo a José Mujica, ambos da Frente Ampla. Com chances mínimas estão os candidatos dos tradicionais Partidos Nacional e Colorado (governou mais de cem anos até desabar com mínima votação em 2004) ou dos Independentes. Por lei haverá um pleito interno de cada Partido em 1º de junho para escolher oficialmente o respectivo candidato.
O Uruguai (1º turno em 26/10 e 2º em 30/11) apenas aguarda o retorno de Tabaré Vasquez à presidência, substituindo a José Mujica, ambos da Frente Ampla. Com chances mínimas estão os candidatos dos tradicionais Partidos Nacional e Colorado (governou mais de cem anos até desabar com mínima votação em 2004) ou dos Independentes. Por lei haverá um pleito interno de cada Partido em 1º de junho para escolher oficialmente o respectivo candidato.
Por fim as eleições bolivianas previstas para dezembro foram antecipadas
para 5 de outubro, mal dando tempo às oposições para improvisar o governador de
Santa Cruz, Rubens Costas, como uma alternativa a Evo Morales que concorre pela
terceira vez. A Constituição do país proíbe uma segunda reeleição, mas Evo
renunciou quase ao final do primeiro mandato com o que, segundo ele, o
calendário eleitoral recomeçou do zero. O mandato é de 5 anos e, depois, o
Movimento ao Socialismo – MAS tentará de novo aprovar a reeleição ad eternum do
seu chefe.

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